quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Uma Lição de Vida
Retirado da página: http://www.calendario.cnt.br/rodin.htm
Teria eu então os meus 25 anos, estudava e escrevia em Paris. Muitas pessoas já haviam feito elogios a trabalhos literários meus publicados, e eu mesmo me sentia satisfeito com alguns deles. Mas, no fundo, estava convencido de que podia fazer ainda melhor, conquanto não fosse capaz de determinar em qjue residia o meu ponto fraco.
Foi então que um grande homem me deu uma grande lição. Foi um desses incidentes, aparentemente triviais, que chegam a ser o ponto decisivo de uma vida.
Uma noite, em casa de Verhaerem, famoso escritor belga, lamentava um pintor já idoso a decadência das artes plásticas. Eu, jovem e impulsivo, contradisse com veemência tal ponto de vista. Acaso não vivia ainda, disse-lhe eu, e naquela mesma cidade, um escultor que poderia colocar-se ao nível de Miguel Angelo ? O Penseur ou o Balzac de Rodin não estavam destinados a durar tanto quanto o mármore do qual ele os esculpira ?
Ao concluir minha impetuosa tirada, Verhaeren bateu-me amigavelmente no ombro, dizendo:
- Amanhã vou visitar o Rodin.
Venha comigo. Quem mostra por um homem a admiração que você sente por ele tem o direito de conhecê-lo.
Fiquei contentíssimo. Quando, porém, no dia seguinte, Verhaeren me apresentou ao escultor, não pude dizer palavra.
E, enquanto os dois velhos amigos conversavam, sentia-me ali como um intruso importuno.
Os grandes homens, porém, são os mais bondosos. Rodin, ao despedirmo-nos, voltou-se para mim e disse-me:
- Suponho que o senhor gostaria de ver uma ou duas das minhas esculturas; receio, porém, que não tenha quase nada aqui. Mas venha jantar comigo no domingo em Meudon.
Nas modesta casa de campo de Rodin sentamo-nos a uma pequena mesa ante uma comida caseira. Em breve a expressão animadora de seus olhos suaves e a simplicidade das maneiras do próprio homem curaram o meu embaraço.
No estúdio, uma construção rústica com grandes janelas, havia algumas estátuas acabadas e centenas de pequenos estudos plásticos; um braço, uma mão, às vezes apenas um dedo ou uma articulação; estatuas começadas e depois abandonadas, mesas cheias de esboços. Toda a sala falava de uma vida inteira de curiosidade inquieta e de trabalho.
Rodin meteu-se numa blusa de linho, e assim vestido tinha o aspecto de um operário. Depois, parou em frente de um pedestal.
- Este é o meu último trabalho - disse, tirando os panos molhados e mostrando um torso feminino, magnificamente modelado em argila.
- Parece-me inteiramente acabado.
E, para melhor ver, aquele velho robusto, de ombros largos e barba de um grisalho descorado, deu um passo para trás:
- Sim, creio que já está acabado.
Mas, após um momento de observação, murmurou:
- A linha do ombro está ainda um pouco rígida. Excusez ...
Agarrou a espátula. A madeira deslizou ligeiramente sobre a argila macia, dando à carne um brilho mais delicado. As suas mão fortes despertaram para a vida; seus olhos brilharam:
- Aqui...e aqui...
E tornou a alterar alguma coisa. Depois, recuou, fez girar o pedestal, murmurando vagos sons guturais.
Ora os olhos iluminavam-se-lhe de prazer, ora franzia as sobrancelhas, contrariado. Amassava pedacinhos de argila, colava-os à figura, raspava uma parte.
Aquilo continuou durante meia hora, uma hora... Nenhuma vez me dirigiu a palavra. Esquecera tudo em volta de si, exceto a visão da forma mais sublime que desejava criar.
Estava sòzinho com a sua obra, como Deus no primeiro dia da criação.
Por fim, com um suspiro de alívio, pousou a espátula e envolveu o torso com os panos molhados com a terna solicitude de um homem que põe um xale sobre os ombros da sua amada.
Depois, deu volta para sair: era de novo o velho de corpo robusto.
Um momento antes de chegar à porta notou a minha presença. Olhou-me. Só então se lembrou, e visivelmente contrariado pela falta de cortesia disse-me:
- Pardon, Monsieur, tinha-o esquecido completamente. Mas o senhor compreende...
Tomei-lhe a mão e apertei-a, grato. Talvez tenha percebido o que eu sentia, porque sorriu e passou o braço pelo meu ombro, quando saímos da sala.
Aprendi mais naquela tarde em Meudon do que em todos os meus anos de escola. Desde então fiquei sabendo como deve ser feito todo o trabalho humano para que seja bom e compensador.
Jamais coisa alguma comoveu-me tanto como a compreensão de que um homem pudesse esquecer tão completamente o tempo, o lugar e o mundo.
Naquela hora captei o segredo de toda arte e de todo êxito terreno:
- a concentração; a reunião de todas as nossas forças para o cumprimento da missão, pequena ou grande; a capacidade de fixar a sua vontade, tantas vezes dispersa ou utilizada impropriamente, sobre uma só e determinada coisa.
Compreendi então o que faltara ao meu trabalho até àquele momento - o fervor que faz um homem esquecer tudo mais, exceto o desejo da perfeição. Um homem precisa ser capaz de absorver-se por inteiro no seu trabalho. Não existe- sei-o agora - outra fórmula mágica.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Renoir
http://www.pintoresfamosos.com.br/?pg=renoir
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/renoir/
Trabalhos do artista:

Jeunes filles au piano (Garotas ao Piano)
1892; Óleo sobre tela, 116 x 90 cm; Museu d'Orsay, Paris
La famille de l'artiste1896; Óleo sobre tela, 173 x 140 cm

As Grandes Banhistas - 1887. Considerada por muitos como a obra prima do artista.
Curiosidade: Jean Renoir, seu filho, é considerado grande cineasta e ator francês. Ganhador do Oscar honorário em 1975, tal qual Chaplin.
sábado, 19 de setembro de 2009
Loki
Modigliani
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Aqueles Dois - Cia Luna Lunera
Não vou falar tecnicamente, pois não me sinto habilitado ainda para isto, mas do ponto de vista de plateia, de público, pude acompanhar o ritmo do espetáculo, a forma como foi conduzido, como levava a audiência com ele (espetáculo). O público pulsa junto. Vai no ritmo que ele determina: da euforia ao recolhimento. Sente os dramas e as alegrias dos personagens, que não têm donos. São habilmente interpretados pelos quatro atores em cena, em uma sincronia perfeita.
O público os segue até sair na rua, até entrar no taxi (quem assistiu sabe do que estou falando). E fica pensando. Não há bandeiras. Ninguém é a favor ou contra, apenas se conta uma história.
Saí do teatro lembrando do Cazuza, é claro que se lembra do Cazuza no espetáculo, mas me lembrei de algo que não é citado no texto. Li certa vez que Cazuza mencionou que ao ouvir Renato Russo teria dito algo como: “Este cara está escrevendo melhor do eu. Senti uma puta inveja, mas daquelas que te dão vontade de trabalhar mais e melhor”. Não são estas as palavras, mas é a ideia. Também senti esta inveja e a necessidade de trabalhar mais.










