Zuzu Angel - Quem é essa mulher?


Enviado por: Verônica

Personagem dos anos 70: Zuzu Angel - uma das mãe que buscaram o corpo de um filho morto e "desaparecido".

Os compositores Chico Buarque de Holanda e Miltinho, após a morte de Zuzu, em 1976, compuseram a canção "Angélica" em sua homenagem: 
Angélica 
(Composição: Miltinho/Chico Buarque)

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar


Zuzu Angel: Estilista que Inaugurou a brasilidade na moda, com uma linguagem pessoal

(Curvelo-MG, 1921 - Rio de Janeiro, 1976). 

Zuleika Angel Jones era uma costureira que aos 26 anos mudou-se para o Rio de Janeiro e abriu uma loja em Ipanema. Mostrou-se visionária ao direcionar suas obras para o uso cotidiano e casual, acessível a todas as mulheres. Em uma época em que as mulheres não eram reconhecidas como seres criativos e fazer moda não era uma tarefa feminina, Zuzu adquiriu notoriedade. Seus trabalhos eram simples, femininos, tinham qualidade e profundidade. Nos anos 60, tornou-se famosa nos EUA. Ganhou editoriais dedicados aos seus trabalhos, destacou-se em vitrines das lojas de maior prestígio e atraiu a atenção de um mercado dominado por estereótipos. Foi a primeira estilista brasileira a conquistar espaço no exterior. Em 1971, seu filho Stuart, universitário ativista político de esquerda, foi preso, torturado e dado como desaparecido pelo regime militar. Ela lançou-se sem medo na busca incansável pelo corpo do filho e na luta por justiça, liberdade e democracia. Enfrentou abertamente o silêncio imposto à força e usou as suas criações e o seu prestígio para transmitir mensagens de resistência e chamar a atenção para as arbitrariedades então cometidas no Brasil. Sua luta só teve fim após sua morte, em um acidente de carro, em circunstâncias até hoje não esclarecidas, no Rio de Janeiro.

Foi a primeira estilista a divulgar a moda e o estilo brasileiros no exterior, obtendo inúmeras vitrines e editoriais com suas coleções nos EUA. Usava materiais nacionais, rendas, pedrarias, bordados e temas regionalistas e cores tropicais.

Zuzu criou o que chamou de "a primeira coleção de moda política da história". Ela usou em suas roupas estampas com silhuetas bélicas, pássaros engaiolados, balas de canhão atiradas contra anjos, sol atrás de grades, meninos amordaçados, como forma de denunciar as atrocidades cometidas pelo governo militar que tomou o poder no Brasil em 1964.

Soube tirar proveito de sua fama a favor da luta contra o terrorismo de Estado no Brasil, envolvendo inúmeros clientes e amigos importantes para denunciar as violências que estavam sendo cometidas: Joan Crawford, Kim Novak, Veruska, Liza Minelli, Jean Shrimpton, Margot Fontein, Henry Kissinger, Ted Kennedy, entre outros. Dizia sempre: "Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade".

Em 2006, o diretor Sérgio Rezende lançou o longa metragem, Zuzu Angel contando a história da estilista de sucesso que projetou a moda brasileira no mundo e que , como mãe, travou uma luta contra tudo e todos na busca pelo seu filho desaparecido, vítima de um crime político.






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