Clique abaixo para conhecer toda a sujeira da veja e de alguns pseudo-jornalista brasileiros:
Clique abaixo para ler o Dossiê Veja, por Luis Nassif:
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sábado, 12 de julho de 2008
Viagem
Nos próximos dias estarei longe. Volto dia 26/07.
Até lá provavelmente farei poucas, ou nenhuma postagem.
Abraços e até a volta
EdiSilva
Até lá provavelmente farei poucas, ou nenhuma postagem.
Abraços e até a volta
EdiSilva
PF acusa Mainardi e Veja
Diretamente do Blog do Luis Nassif:
http://www.projetobr.com.br/web/blog/5
O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.
O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis". É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.
Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal
O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.
Diz o seguinte:
Evidentemente com maior assiduidade na programação quase que diária na programação dos meios de comunicação disponíveis, o grupo comandado por Dantas se serve com maior freqüência do que o grupo comandado por Naji Nahas. Ambos são convergentes quanto ao interesse comum e divergentes quanto às matérias publicadas, como forma de ludibriar para atingir seus objetivos. Com vantagens no final da falsa discussão pública.
Curiosamente, o volume de dados analisados a respeito do material publicado ao longo da existência dessa organização criminosa usando a mídia, ora em proveito próprio ora em outros propósitos chantagistas
Neste momento trazemos à luz algumas matérias de fomento ao acordo recentemente efetivada pela BrT, Oi, Citigroup, Opportunity, aqui Daniel Valente Dantas, referente a alguns “conceituados” órgãos da imprensa escrita, tais como revista IstoÉ Dinheiro e Veja, ambos veículos a serviço do relevante grupo.
Apontamos a revista Veja, data de 16/01/2008, matéria “Rumo à supertele”, três folhas dedicadas exclusivamente aos interesses escusos da organização pelo jornalista Lauro Jardim.
Nesse mesmo dia 16.01.2008, matéria de capa da revista IstoÉ, “Os Vencedores da Telefonia”, como Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, sócios da Oi, foram escolhidos pelo governo para comprar a BrT e, com o auxílio generoso do BNDES, formar um gigante das telecomunicações”, do jornalista Leonardo Attuch.
E aqui nesse momento, eu vou me servir do recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi, sob o título
“Entendeu, trabalha”.
“Eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a “chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga".
Ao lembrar essa assertiva ele talvez tenha revelado e audaciosamente expressado a vertente resumida de como funcionava a mídia para o grupo Opportunity, comandado por Daniel Valente Dantas, o que reforça e confirma todo o material coletado através de interceptações de dados telefônicos e telemáticos.
Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores.
No relatório de análises constou no dia 13/01/2007 que o investigado Daniel Dantas mantém diálogos com Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT
Embora esse tema não seja foco inicial da presente investigação,é necessário conhecermos os meios ardilosos na divulgação das informações plantadas.
A voracidade em lançar informações falsas e até com cunho difamatório, e menciona o nome Moreira Alves (...) na empreitada suja de baixo nível.
E aqui vai a indagação: a mídia é um veículo independente comprometido com a verdade imparcial? Certo? Errado. O que estamos assistindo e desmascarando por meio do Judiciário Federal, com a atenção auspiciosa do Ministério Público Federal é repugante !!! sob o ponto de vista ético e moral do papel da imprensa.
E aqui reproduzimos ipsis literis a mensagem interceptada de conteúdo sem o mínmo escrúpulo que possa nortear comportamento de regras de boa conduta e convivência social.
Assunto: Pendências
De; Cristina Caetano 18/02/2008
Para Alberto Pavi
Pavi,
Obrigado. Outro dia retomaremos a conversa com Moreira Alves. Nosso prazo para entrar com a campanha difamatória é no começo de março. E se não formos fazer com ele temos que achar outra pessoa. Nós preferimos que você redigisse. Achamos que nesse caso tem muitos fatos, seria melhor ser redigido por um civilista do que com um criminalista. Vamos focar nisso?
Beijos
Conclusões
Depois, fala de contatos de Nahas com jornalistas, mas sem envolvimento com o a organização criminosa. Menciona jornalistas que tiveram reuniões com Nahas, no plano jornalístico apenas. Quando menciona Attuch, o relatório diz que
seria também responsável pela publicação de artigos jornalísticos “encomendados” pela organização criminosa com o objetivo de facilitar o tráfiuco de influência perante autoridade são públicas.
Para esse seleto grupo jornalístico Naji Najas ora se posiciona falsamente como opositor e inimigo de Daniel Dantas.
É comum jornalistas acima citados (acrescentamos o colunista Diogo Mainardi, na revista Veja) assinarem matérias favoráveis ao interesse do grupo Opportunity, principalmente à pessoa de Daniel Valente Dantas.
A contextualização e os tópicos de análise do papel da mídia na presente investigação, por questão didática, e preferimos fazer referência aqui na forma de anexo digitalizado.
O relatório tem menção a vários links com gravações de conversas telefônicas.
http://www.projetobr.com.br/web/blog/5
O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.
O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis". É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.
Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal
O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.
Diz o seguinte:
Evidentemente com maior assiduidade na programação quase que diária na programação dos meios de comunicação disponíveis, o grupo comandado por Dantas se serve com maior freqüência do que o grupo comandado por Naji Nahas. Ambos são convergentes quanto ao interesse comum e divergentes quanto às matérias publicadas, como forma de ludibriar para atingir seus objetivos. Com vantagens no final da falsa discussão pública.
Curiosamente, o volume de dados analisados a respeito do material publicado ao longo da existência dessa organização criminosa usando a mídia, ora em proveito próprio ora em outros propósitos chantagistas
Neste momento trazemos à luz algumas matérias de fomento ao acordo recentemente efetivada pela BrT, Oi, Citigroup, Opportunity, aqui Daniel Valente Dantas, referente a alguns “conceituados” órgãos da imprensa escrita, tais como revista IstoÉ Dinheiro e Veja, ambos veículos a serviço do relevante grupo.
Apontamos a revista Veja, data de 16/01/2008, matéria “Rumo à supertele”, três folhas dedicadas exclusivamente aos interesses escusos da organização pelo jornalista Lauro Jardim.
Nesse mesmo dia 16.01.2008, matéria de capa da revista IstoÉ, “Os Vencedores da Telefonia”, como Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, sócios da Oi, foram escolhidos pelo governo para comprar a BrT e, com o auxílio generoso do BNDES, formar um gigante das telecomunicações”, do jornalista Leonardo Attuch.
E aqui nesse momento, eu vou me servir do recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi, sob o título
“Entendeu, trabalha”.
“Eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a “chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga".
Ao lembrar essa assertiva ele talvez tenha revelado e audaciosamente expressado a vertente resumida de como funcionava a mídia para o grupo Opportunity, comandado por Daniel Valente Dantas, o que reforça e confirma todo o material coletado através de interceptações de dados telefônicos e telemáticos.
Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores.
No relatório de análises constou no dia 13/01/2007 que o investigado Daniel Dantas mantém diálogos com Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT
Embora esse tema não seja foco inicial da presente investigação,é necessário conhecermos os meios ardilosos na divulgação das informações plantadas.
A voracidade em lançar informações falsas e até com cunho difamatório, e menciona o nome Moreira Alves (...) na empreitada suja de baixo nível.
E aqui vai a indagação: a mídia é um veículo independente comprometido com a verdade imparcial? Certo? Errado. O que estamos assistindo e desmascarando por meio do Judiciário Federal, com a atenção auspiciosa do Ministério Público Federal é repugante !!! sob o ponto de vista ético e moral do papel da imprensa.
E aqui reproduzimos ipsis literis a mensagem interceptada de conteúdo sem o mínmo escrúpulo que possa nortear comportamento de regras de boa conduta e convivência social.
Assunto: Pendências
De; Cristina Caetano 18/02/2008
Para Alberto Pavi
Pavi,
Obrigado. Outro dia retomaremos a conversa com Moreira Alves. Nosso prazo para entrar com a campanha difamatória é no começo de março. E se não formos fazer com ele temos que achar outra pessoa. Nós preferimos que você redigisse. Achamos que nesse caso tem muitos fatos, seria melhor ser redigido por um civilista do que com um criminalista. Vamos focar nisso?
Beijos
Conclusões
Depois, fala de contatos de Nahas com jornalistas, mas sem envolvimento com o a organização criminosa. Menciona jornalistas que tiveram reuniões com Nahas, no plano jornalístico apenas. Quando menciona Attuch, o relatório diz que
seria também responsável pela publicação de artigos jornalísticos “encomendados” pela organização criminosa com o objetivo de facilitar o tráfiuco de influência perante autoridade são públicas.
Para esse seleto grupo jornalístico Naji Najas ora se posiciona falsamente como opositor e inimigo de Daniel Dantas.
É comum jornalistas acima citados (acrescentamos o colunista Diogo Mainardi, na revista Veja) assinarem matérias favoráveis ao interesse do grupo Opportunity, principalmente à pessoa de Daniel Valente Dantas.
A contextualização e os tópicos de análise do papel da mídia na presente investigação, por questão didática, e preferimos fazer referência aqui na forma de anexo digitalizado.
O relatório tem menção a vários links com gravações de conversas telefônicas.
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Ana Cañas - Carente Profissional
Música de Cazuza e Frejat. Indicação da Kris Matias. Vale a pena ouvir
EdiSilva
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Carente Profissional
sábado, 5 de julho de 2008
Isto é que é tortura
Carta Capital:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1209
Esta é, no momento, a melhor revista do país.
20/06/2008 14:54:45
Gilberto Nascimento
Um misto de incômodo, medo e raiva parece dominar o delegado Dirceu Gravina, 56 anos, ao ser interpelado pelo repórter. Surpreso, ele diz ter problemas cardíacos e leva alguns minutos para se recompor e responder. O delegado e professor da Universidade Unioeste, em Presidente Prudente (SP), permanece o tempo inteiro com os olhos fixados no rosto do repórter, como se aguardasse um possível ataque para reagir imediatamente.
“Não vou falar sobre isso, não vou falar. Já acabaram comigo, com a minha família, com a minha vida. Me estigmatizaram”, reagiu, num primeiro momento, deixando a porta de entrada da delegacia onde trabalha em direção ao seu carro estacionado em frente.
Gravina acabou falando na frente do prédio, em pé, por cerca de 50 minutos. Admitiu ter trabalhado no Dops e no DOI-Codi, mas negou ter matado Aluízio Palhano Ferreira, Lauriberto Reyes e Alexander Ibsen Voerões. “Isso eu nego veementemente. Não sei quem são essas pessoas. Não conheci nenhum deles.”
Perguntado várias vezes se torturou presos políticos e se via tortura no DOI-Codi paulista, o delegado respondeu sempre da mesma maneira. “Depende do que você entende por tortura. O que é tortura?”, devolveu. Lembrado de que existem várias modalidades de tortura, como o pau-de-arara, cadeira do dragão, choques elétricos e afogamentos, gesticulou com os lábios e as mãos espalmadas, sinalizando dúvidas.
E repetiu diversas vezes: “Isto, sim, o que você está fazendo comigo, é que é tortura. Você é quem está me torturando. Isto, sim. É um massacre. Um massacre”.
Gravina alegou não conhecer os ex-presos políticos Lenira Machado e Ivan Seixas. “Não sou esse JC que falam. Eu trabalhava na área de análise e só eventualmente fazia interrogatórios. Nunca tive autodeterminação para nada. Havia salas em que eu nem entrava. Era tudo delimitado”, afirma.
E manteve-se na defensiva. “Se fiz alguma coisa errada no passado, peço desculpas. Se houve uma exacerbação, me desculpem. Falar que eu não errei, é hipócrita. Eu errei e continuo errando. Mas eu também não concordava com aquilo. Não achava certo e não era o lugar em que eu gostava de trabalhar. Eu tinha uma função. Eu apenas cumpria ordens. Fui mandado. Nem sabia o que era polícia, quando entrei lá. Tinha só 19 anos. Depois, vi que não era o que eu imaginava. Agora, é importante dizer: eu ganhei alguma coisa com aquilo? Eu tive alguma benesse?”
Ele alegou que também não era bem-visto no DOI-Codi. “Não gostavam de mim lá porque eu acompanhava o movimento social da época. Havia uma revolução cultural, um modo de se trajar e eu não era igual a eles. Achavam que eu era playboy”, garantiu.
Professor de Direito Internacional Privado, o delegado não vê qualquer incongruência nessa missão com o seu trabalho no DOI-Codi. Para ele, as leis, naquela época, podiam estar erradas. “Mas tinham de ser cumpridas. Eu não tinha que me preocupar com a questão política. Tinha que cumprir a minha função, mesmo se não concordasse. Esse é o lado ruim da polícia”, afirmou. “Mas nunca fui chamado para comissão nenhuma. Nunca fui questionado em nada. Por que não me chamaram para falar na época da ditadura? Foi só eu virar delegado e aí querem me pegar.”
Sobre a possibilidade de vir a ser responsabilizado na Justiça, Gravina protestou. “Querem pegar 30 ou 40 pessoas agora. Mas e os grandes? Os donos da vida, os donos do poder, os que detêm a informação?”, reclamou. E recusou-se a dizer quem seriam essas pessoas.
Surpreendentemente, Gravina defendeu a abertura dos arquivos da repressão política. “Por que não abrem tudo? Por que o governo não fala? Assim, pode ser esclarecido tudo. Eu errei, mas não tenho de carregar isso por 40 anos”, reclamou.
Sobre suas relações com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, falou pouco. “Ele era o chefe, o comandante. Eu o conheci, sim. Ele dava as ordens. A gente se postava como militar na frente dele. Lá, tinha o Ustra e mais uns três ou quatro capitães.” Para o delegado, é normal que prisões feitas por ele no passado sejam questionadas. “É como hoje, a mesma coisa. Se eu prender alguém do PCC (a organização criminosa Primeiro Comando da Capital), posso ter problemas daqui a 25 anos.”
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1209
Esta é, no momento, a melhor revista do país.
20/06/2008 14:54:45
Gilberto Nascimento
Um misto de incômodo, medo e raiva parece dominar o delegado Dirceu Gravina, 56 anos, ao ser interpelado pelo repórter. Surpreso, ele diz ter problemas cardíacos e leva alguns minutos para se recompor e responder. O delegado e professor da Universidade Unioeste, em Presidente Prudente (SP), permanece o tempo inteiro com os olhos fixados no rosto do repórter, como se aguardasse um possível ataque para reagir imediatamente.
“Não vou falar sobre isso, não vou falar. Já acabaram comigo, com a minha família, com a minha vida. Me estigmatizaram”, reagiu, num primeiro momento, deixando a porta de entrada da delegacia onde trabalha em direção ao seu carro estacionado em frente.
Gravina acabou falando na frente do prédio, em pé, por cerca de 50 minutos. Admitiu ter trabalhado no Dops e no DOI-Codi, mas negou ter matado Aluízio Palhano Ferreira, Lauriberto Reyes e Alexander Ibsen Voerões. “Isso eu nego veementemente. Não sei quem são essas pessoas. Não conheci nenhum deles.”
Perguntado várias vezes se torturou presos políticos e se via tortura no DOI-Codi paulista, o delegado respondeu sempre da mesma maneira. “Depende do que você entende por tortura. O que é tortura?”, devolveu. Lembrado de que existem várias modalidades de tortura, como o pau-de-arara, cadeira do dragão, choques elétricos e afogamentos, gesticulou com os lábios e as mãos espalmadas, sinalizando dúvidas.
E repetiu diversas vezes: “Isto, sim, o que você está fazendo comigo, é que é tortura. Você é quem está me torturando. Isto, sim. É um massacre. Um massacre”.
Gravina alegou não conhecer os ex-presos políticos Lenira Machado e Ivan Seixas. “Não sou esse JC que falam. Eu trabalhava na área de análise e só eventualmente fazia interrogatórios. Nunca tive autodeterminação para nada. Havia salas em que eu nem entrava. Era tudo delimitado”, afirma.
E manteve-se na defensiva. “Se fiz alguma coisa errada no passado, peço desculpas. Se houve uma exacerbação, me desculpem. Falar que eu não errei, é hipócrita. Eu errei e continuo errando. Mas eu também não concordava com aquilo. Não achava certo e não era o lugar em que eu gostava de trabalhar. Eu tinha uma função. Eu apenas cumpria ordens. Fui mandado. Nem sabia o que era polícia, quando entrei lá. Tinha só 19 anos. Depois, vi que não era o que eu imaginava. Agora, é importante dizer: eu ganhei alguma coisa com aquilo? Eu tive alguma benesse?”
Ele alegou que também não era bem-visto no DOI-Codi. “Não gostavam de mim lá porque eu acompanhava o movimento social da época. Havia uma revolução cultural, um modo de se trajar e eu não era igual a eles. Achavam que eu era playboy”, garantiu.
Professor de Direito Internacional Privado, o delegado não vê qualquer incongruência nessa missão com o seu trabalho no DOI-Codi. Para ele, as leis, naquela época, podiam estar erradas. “Mas tinham de ser cumpridas. Eu não tinha que me preocupar com a questão política. Tinha que cumprir a minha função, mesmo se não concordasse. Esse é o lado ruim da polícia”, afirmou. “Mas nunca fui chamado para comissão nenhuma. Nunca fui questionado em nada. Por que não me chamaram para falar na época da ditadura? Foi só eu virar delegado e aí querem me pegar.”
Sobre a possibilidade de vir a ser responsabilizado na Justiça, Gravina protestou. “Querem pegar 30 ou 40 pessoas agora. Mas e os grandes? Os donos da vida, os donos do poder, os que detêm a informação?”, reclamou. E recusou-se a dizer quem seriam essas pessoas.
Surpreendentemente, Gravina defendeu a abertura dos arquivos da repressão política. “Por que não abrem tudo? Por que o governo não fala? Assim, pode ser esclarecido tudo. Eu errei, mas não tenho de carregar isso por 40 anos”, reclamou.
Sobre suas relações com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, falou pouco. “Ele era o chefe, o comandante. Eu o conheci, sim. Ele dava as ordens. A gente se postava como militar na frente dele. Lá, tinha o Ustra e mais uns três ou quatro capitães.” Para o delegado, é normal que prisões feitas por ele no passado sejam questionadas. “É como hoje, a mesma coisa. Se eu prender alguém do PCC (a organização criminosa Primeiro Comando da Capital), posso ter problemas daqui a 25 anos.”
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Como eles agiam
Esta matéria é da Revista Carta Capital:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1210
20/06/2008 14:59:13
Rodrigo Martins
Após o ditador de plantão Arthur da Costa e Silva decretar o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, a estrutura do sistema repressivo no País adquiriu o formato de uma pirâmide, tendo como base as salas de interrogatório e tortura e no ápice o Conselho de Segurança Nacional. Esse órgão, ligado diretamente à Presidência da República, coordenava as atividades das Três Armas e era municiado de dados pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), cujo comandante possuía status de ministro. A rede de informações do SNI se estendia sobre os ministérios civis, por meio das Divisões de Segurança e Informações (DSI), chefiadas por militares, além de todos os outros órgãos da administração pública, inclusive com a colaboração de civis.
Para melhorar a eficácia do aparato de repressão, os militares viram a necessidade de integrar as organizações com essa finalidade ligadas aos ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, bem como da Polícia Federal e das polícias estaduais. É nesse contexto que surge, em 1969, a Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo. Embora não estivesse oficialmente vinculada ao II Exército, documentos reunidos pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos nos últimos anos, que serviram de base para o livro Direito à Memória e à Verdade, publicado pela Presidência da República em 2007, revelam que a operação era, de fato, chefiada pelo comandante do II Exército, o general Canavarro Pereira.
O efetivo da Oban contava com homens das Forças Armadas, das polícias estaduais e até mesmo com civis paramilitares. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Projeto Brasil: Nunca Mais, a operação nutria-se de verbas fornecidas por empresários. Aprovado pelo governo militar, esse modelo centralizado de atuação foi estendido a todo o País.
A partir de 1970, em cada um dos quatro comandos do Exército, dois órgãos internos uniram-se: o Destacamento de Operações de Informações e o Centro de Operações de Defesa Interna, conhecidos pela sigla DOI-Codi. Eles atuavam conjuntamente nos mesmos moldes da Oban, com uma composição mista de militares e policiais. Em seu livro de memórias, o major Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi de São Paulo de 1970 a 1973, reconhece essa colaboração. Segundo ele, do efetivo de 250 homens daquela unidade, apenas 40 eram do Exército. Os demais eram policiais, muitas vezes transferidos para lá de maneira extra-oficial. Além das doações de empresários, os DOI-Codis contavam com dotações orçamentárias próprias e logo assumiram lugar de destaque na repressão.
Mas eles não eram os únicos atores envolvidos na perseguição política. Os Departamentos de Ordem Política e Social (Dops), ligados às polícias estaduais, as delegacias regionais da Polícia Federal, bem como o Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), o Centro de Informações da Marinha (Cenimar) e o Centro de Informações do Exército (CIE) trabalharam de maneira independente na repressão e são responsáveis por centenas de torturas, mortes e desaparecimentos.
Esse complexo aparelho repressivo também atuou fora das fronteiras nacionais. Há numerosos registros históricos sobre a colaboração de agentes brasileiros com as ditaduras militares que emergiram na Bolívia, no Chile, no Uruguai e na Argentina ao longo da década de 70. Àquela época, o Brasil exportava o que tinha de pior: as técnicas de interrogação e tortura.
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1210
20/06/2008 14:59:13
Rodrigo Martins
Após o ditador de plantão Arthur da Costa e Silva decretar o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, a estrutura do sistema repressivo no País adquiriu o formato de uma pirâmide, tendo como base as salas de interrogatório e tortura e no ápice o Conselho de Segurança Nacional. Esse órgão, ligado diretamente à Presidência da República, coordenava as atividades das Três Armas e era municiado de dados pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), cujo comandante possuía status de ministro. A rede de informações do SNI se estendia sobre os ministérios civis, por meio das Divisões de Segurança e Informações (DSI), chefiadas por militares, além de todos os outros órgãos da administração pública, inclusive com a colaboração de civis.
Para melhorar a eficácia do aparato de repressão, os militares viram a necessidade de integrar as organizações com essa finalidade ligadas aos ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, bem como da Polícia Federal e das polícias estaduais. É nesse contexto que surge, em 1969, a Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo. Embora não estivesse oficialmente vinculada ao II Exército, documentos reunidos pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos nos últimos anos, que serviram de base para o livro Direito à Memória e à Verdade, publicado pela Presidência da República em 2007, revelam que a operação era, de fato, chefiada pelo comandante do II Exército, o general Canavarro Pereira.
O efetivo da Oban contava com homens das Forças Armadas, das polícias estaduais e até mesmo com civis paramilitares. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Projeto Brasil: Nunca Mais, a operação nutria-se de verbas fornecidas por empresários. Aprovado pelo governo militar, esse modelo centralizado de atuação foi estendido a todo o País.
A partir de 1970, em cada um dos quatro comandos do Exército, dois órgãos internos uniram-se: o Destacamento de Operações de Informações e o Centro de Operações de Defesa Interna, conhecidos pela sigla DOI-Codi. Eles atuavam conjuntamente nos mesmos moldes da Oban, com uma composição mista de militares e policiais. Em seu livro de memórias, o major Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi de São Paulo de 1970 a 1973, reconhece essa colaboração. Segundo ele, do efetivo de 250 homens daquela unidade, apenas 40 eram do Exército. Os demais eram policiais, muitas vezes transferidos para lá de maneira extra-oficial. Além das doações de empresários, os DOI-Codis contavam com dotações orçamentárias próprias e logo assumiram lugar de destaque na repressão.
Mas eles não eram os únicos atores envolvidos na perseguição política. Os Departamentos de Ordem Política e Social (Dops), ligados às polícias estaduais, as delegacias regionais da Polícia Federal, bem como o Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), o Centro de Informações da Marinha (Cenimar) e o Centro de Informações do Exército (CIE) trabalharam de maneira independente na repressão e são responsáveis por centenas de torturas, mortes e desaparecimentos.
Esse complexo aparelho repressivo também atuou fora das fronteiras nacionais. Há numerosos registros históricos sobre a colaboração de agentes brasileiros com as ditaduras militares que emergiram na Bolívia, no Chile, no Uruguai e na Argentina ao longo da década de 70. Àquela época, o Brasil exportava o que tinha de pior: as técnicas de interrogação e tortura.
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sexta-feira, 4 de julho de 2008
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