quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Língua Portuguesa

Amanhã, ano novo, escrita nova. Eu, por outro lado, continuo velho e ficarei cada vez mais. Não tenho mais paciência para reaprender a escrever, portanto, continuarei a cometer os erros antigos, que se acumularão com os novos.
Ao menos com relação a alguns acentos, talvez eu agora passe a acertar, por não tê-los aprendido antes. Ou seja: eles se cansaram de tentar me corrigir e resolveram se juntar a mim.
Acho que a partir de amanhã serei menos analfabeto. Ou mais.
Que o ano novo seja melhor, em qualquer língua!
Que não se mate ninguém por diferenças de língua, dinheiro, cor, sexo, pátria e religião...

A Ladra (EdiSilva)

Chamem o táxi de volta!
A ladra se decidiu: partirá!

Depois de remexer todos os cantos,
Revolver as carnes úmidas e quentes
E, num ato de selvageria e desumanidade,
Atravessar minhas costelas com seus olhos de cupido
E tomar de assalto o meu coração,
Ela partirá com o produto do seu roubo.

Ela o jogará em um monte qualquer,
Pois nada lhe vale.
Não lhe lançará olhos, nem cuidados.
Apenas o deixará no meio do entulho,
Entre troféus de que ela não se lembrará.

Maurício

Legião Urbana

Composição: Dado Villa-Lobos; Marcelo Bonfá; Renato Russo

Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz

Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um
sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim
Eu vi você voltar pra mim
Eu vi você voltar pra mim...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Laura - Em Memória dos Anônimos

O Espetáculo:

A Cia Imaginária de Teatro está preparando agora o espetáculo “Laura – Em Memória dos Anônimos”, que descreve a trajetória de Laura e seu marido, Alfredo, que como ex-presa política, carrega os traumas próprios de quem foi submetido às agressões cometidas pela ditadura militar. A aridez dos abusos físicos e psicológicos sofridos pelos personagens contrasta com a poesia do amor de Alfredo por Laura. É este lado poético e sensível que o trabalho pretende explorar como fio condutor do espetáculo, sem fugir da discussão deste tema tão presente e marcante de nossa história recente: a ditadura militar, que, como reação à mão de ferro com que o país era conduzido, gerou um dos momentos mais ricos da cultura brasileira através de sua música, literatura e teatro.
A montagem busca resgatar este momento e relembrar não só os fatos tristes, como também toda essa efervescência cultural através da representação do texto “Laura”. Nos debates buscaremos discutir o conhecimento do público sobre o assunto (ditadura militar); quais as implicações do tema na vida deles e de seus familiares; o que isto significou para o país.
O texto “Laura”, objeto desta montagem, foi ganhador do Prêmio Funarte de Dramaturgia (2005) – Região Norte/Centro-Oeste.

Currículo resumido dos participantes desta montagem:

Produção:
Luciana Albertin - Atriz, diretora, dançarina, produtora e pesquisadora de cultura popular, cursando o 5° semestre de Artes Cênicas na Universidade de Brasília (UNB). Participou do Workshop O CORPO COMO FRONTEIRA, ministrado por Renato Ferracini do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais – LUME (2007). Atriz nos espetáculos “Anjos da Terra”, “À Luz da Lua”, “O Romance do Pavão Misterioso” e “Alvorada Brasileira”, entre outros.

Edivaldo da Silva (EdiSilva) - Ator, diretor, produtor, pesquisador de cultura popular e dramaturgo, atuando em diversos espetáculos em Brasília, desde 1984. Ganhador do prêmio de dramaturgia da Funarte (2005), região Norte/Centro-Oeste, categoria adulto. Ator nos espetáculos “Anjos da Terra”, “À Luz da Lua”, “O Romance do Pavão Misterioso”, “Anjo Azul”, “Metade de Mim”, “The Wall” e “Alvorada Brasileira”.

Assistente de produção:
Larissa Marques – atriz, participou da oficina de teatro popular do Ponto de Cultura Invenção Brasileira (2007) e do espetáculo “Mateus e Bastiana contra o Bicho de Fogo”.

Atrizes/atores:
Luciana Albertin;

Krislane Andrade - atriz, atuando em Brasília desde 2004, tendo participado das montagens "À Luz da Lua" (2004), auto de natal “Anjos da Terra” (2004), "Mentira que Virou Verdade" (2006) e "Luz da Terra" (2006). Participou das oficinas Técnica vocal com Andréa Siquera (Casa de Farinha – 2006), Brinquedos populares com Mestre Zezito (2006/2007), Xilogravura com J.Borges (2007), Côco com Côco do Amaro Branco (2007), Interpretação e técnica teatral com Zé Regino (2006), Corpo - Espaço Arlete Sampaio (2004), Dança do ventre – Espaço Arlete Sampaio (2006), Construção de cenário - Com Nara Ferreira (2006), Técnica Vocal – GTSESI (2004), Construção de figurino – Com Tetê Alcândida (2004) e Voz, com – Francisco Costa (2007), “Mateus e Bastiana Contra o Bicho de Fogo”;

Edivaldo da Silva (EdiSilva);

Victor Bernardes - ator, tendo atuado nos espetáculos “Mentira que Virou Verdade” (2006), “Luz da Terra” (2006) e “Mateus e Bastiana Contra o Bicho de Fogo”;

Yuri Pierri - Ator, dramaturgo, produtor, atuando em diversos espetáculos em Brasília, desde 1984. Ator nos espetáculos “The Wall”, “Metade de Mim” e “Muda o Canal”. Oficina com Roberto Mallet – Ator em ação (2003).

Trilha Sonora:
Oldair Vieira Gonçalves - Engenheiro de áudio, Técnico em Eletrônica, Produtor Musical e
Músico profissional.

Figurinista/cenógrafa:
Terezinha Alcândida Borges (Tetê Alcândida), artesã, com experiência em oficinas e confecções de brinquedos e bonecos. Atua no Distrito Federal desde 1984, participou em diversos projetos: Candanguinho, Brasília Criança, dentre outros. Atua em parceria com grupos de teatro da cidade de Brasília e entorno, tais como: Mamulengo Presepada, Hierofante, Mestre Zezito, Bagagem e Cia, Teatro Boca a Boca e Teatro Mapati. Possui experiência também com confecção de cenários, figurinos e sapato artesanal.

Texto
Edivaldo da Silva (EdiSilva).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Hoje a tristeza não é passageira...

Não ando às boas com a vida e, portanto, não tenho me inclinado a escrever frases cheias de bichinhos e céu azul neste natal. Aliás, isto nunca foi muito o meu jeito. Temo ter passado isto para minha filha. Espíritos tristes tendem a serem transmitidos geneticamente com mais facilidade. Acho que a tristeza é recessiva. Ao menos o é, o que provoca a tristeza.

Dane-se Mendel, como se a culpa pelo mal fosse de quem descobriu a sua existência.

Obs.: o título se refere à canção de Renato Russo - "Via Láctea"