sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sobre Etanol - Outras Informações

Contribuição de André Duarte - Coletivo Motirõ.

Para refletir sobre a questão seguem alguns links. Sempre fico de orelha em pé quando a mídia noticia fatos favoráveis aos trabalhadores. No caso do etanol, 30% da produção já é mecanizada e tende a aumentar. É certo que as condições de trabalho são terríveis, mas na maioria das vezes, é isso ou a fome. Vale lembrar que uma colheitadera de cana faz o trabalho de 80 trabalhadores rurais. Outras perguntas que podemos fazer: Quem ganharia com a redução do consumo de etanol? O que é menos danoso à sociedade, combustíveis fosseis ou renováveis?

A matéria tem um teor bem sensacionalista, usa o trabalhador rural para sensibilizar e manipular a opnião pública. Com o aumento da venda de veículos bicombustível é bem provável que as indústrias petroleiras estejam buscando recuperar a fatia que estão perdendo no mercado.

É possível fabricar etanol em pequenas propriedades com um pequeno investimento, um alambique para produção de cachaça pode produzir etanol, mas infelizmente o governo brasileiro não libera lincença para que o pequeno produtor comercialize etanol. Felizmente muitos tem produzido para consumo próprio ou em pequenas cooperativas que distribui a produção entre os cooperados.

Para aprofundar mais a questão recomendo que assistam o filme "A Vida em Cana" disponível aqui no acervo do Coletivo Motirõ.



"Em 1993, a mecanização da produção dos canaviais não atingia 0,5% do total da produção. Em 2003, aproximadamente 35% da produção brasileira já era mecanizada. A intensa mecanização dos canaviais tem gerado algum atrito político e social. Tem havido grande perda de empregos no setor, que usa mão-de-obra intensiva e que a princípio não requer nenhuma qualificação formal: os chamados bóias-frias. Essa ainda é a única ocupação disponível para populações inteiras no interior do Brasil, mesmo diante dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho."
fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cana-de-a%C3%A7%C3%BAcar

"Há uma lei em trâmite na Assembléia Legislativa de São Paulo que prevê uma redução progressiva (25% a cada 5 anos) na área de queimada, em favor da mecanização. No entanto, áreas com mais de 12% de declividade e propriedades com menos de 150 hectares estão excluídas da lei. Atualmente, apenas 30% da área de cultivo da cana é mecanizada."

"De um ponto de vista social, a colheita mecanizada pode causar grande desemprego, já que uma colhedora é capaz de substituir 80 trabalhadores por dia."
fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/1382

O presidente Lula afirmou que o governo federal está estudando, em conjunto com os empresários do setor de álcool e açúcar, formas de melhorar a situação dos cortadores, por meio da mecanização da colheita. Com isso, o governo pretende acabar com as acusações de más condições de trabalho nas plantações. Lula revelou ainda que o governo está negociando com os empresários um contrato de trabalho para melhorar a situação dos cortadores de cana-de-açúcar.

fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=16798


http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/1382

O alto preço do etanol limpo e barato

Dica de Kris Matias


Clemens Höges
Da Der Spiegel
O Brasil espera fornecer aos motoristas de todo o mundo o combustível do futuro - etanol barato derivado de cana-de-açúcar. Ele é considerado um antídoto eficaz para a mudança climática, mas centenas de milhares de trabalhadores rurais brasileiros colhem a cana a salários de escravos.

No meio da noite, a plantação ao redor de Araçoiaba, na zona do etanol do Brasil, está pegando fogo. A área parece uma zona de guerra durante a colheita da cana, à medida que os campos em chamas iluminam o céu e o vento carrega as nuvens de fumaça pelo interior.

O fogo afugenta cobras, mata tarântulas e queima as folhas afiadas da cana. Pela manhã, quando restam apenas brasas, dezenas de milhares de trabalhadores com facões entram nos campos por toda esta região no Nordeste do Brasil. Eles colhem a cana, que sobrevive ao fogo e que é usada para destilar o etanol, a gasolina do futuro.

Horas antes, Antonio da Silva tenta levantar de sua cama. Ele não precisa de despertador, mesmo às 2h da manhã. A dor o acorda. Ele olha para as outras duas camas no quarto, onde dormem seus filhos - quatro meninas e dois meninos. Assim que sai, diante de sua tenda, ele diz que poderá não conseguir sustentá-los por muito tempo.

Ele sabe que uma hérnia acabou com ele. É a hérnia que o força a colocar seu intestino no lugar quando se endireita após se inclinar. Ele sente dois tipos de dor: uma latejante em sua virilha, com a qual convive há muito tempo, e a dor aguda que experimenta sempre que corta a cana com seu facão.
Continua...

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/01/23/ult2682u1063.jhtm