terça-feira, 7 de abril de 2009

Projeto Memória Curta: Goulart deposto

Do blog do Azenha:
http://www.viomundo.com.br/buraco-negro/projeto-memoria-curta-goulart-deposto/

Esse é o quarto de seis documentos que o governo dos Estados Unidos já liberou (com trechos censurados) sobre o envolvimento daquele país no golpe de 1964 que derrubou João Goulart.

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Trata-se do telegrama da Central de Inteligência Americana, datado de 2 de abril de 1964, comunicando o golpe:

"Assunto: Partida de João Goulart de Porto Alegre para Montevidéu.

1. João Goulart, presidente deposto do Brasil, deixou Porto Alegre à uma da tarde, hora local, para Montevidéu. Comentário: Não há detalhes sobre quem viajava com ele.

2. O conselho nacional de governo no dia primeiro de abril aprovou uma resolução para receber Goulart como presidente, a não ser que ele renuncie antes de deixar o Brasil."

A conspiração de Washington contra a "comunização" do Brasil

Do blog do Azenha:
http://www.viomundo.com.br/buraco-negro/a-conspiracao-de-washington-contra-a-comunizacao-do-brasil/

ARMA ERA O GENERAL VERNON WALTERS; ALGUNS TRECHOS DE DOCUMENTOS CONTINUAM CENSURADOS

Eu prometi a vocês a tradução de todos os documentos oficiais do arquivo americano sobre o apoio dos Estados Unidos ao golpe de 1964, no Brasil. Os documentos estão no National Security Archives da Universidade George Washington. Este é o segundo da série. Trata-se de mensagem do então embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, aos superiores em Washington.

É preciso colocá-la em contexto histórico. Os Estados Unidos acreditavam firmemente que um regime pró-comunista poderia ser instalado no Brasil, em plena guerra fria com a União Soviética. O embaixador americano Lincoln Gordon avaliava o então presidente brasileiro, João Goulart, como um populista na linha de Juan Domingo Perón, o caudilho da Argentina. A revolta de marinheiros de baixa patente, mais tarde atribuída em parte à ação de agitadores plantados pela CIA, como o cabo Anselmo, havia causado consternação entre oficiais brasileiros.

Os integrantes do governo americano trocavam mensagens a respeito da situação no Brasil. O general O'Meara comandava as forças militares americanas para a região, baseadas no Panamá. Foi nesse contexto que Lincoln Gordon escreveu a mensagem, de 29 de março de 1964:

"Pessoal do embaixador Gordon. Favor passar imediatamente ao secretário de Estado Rusk, ao secretário-assistente Mann, Ralph Burton, secretário de Defesa McNamara, secretário-assistente de Defesa McNaughton, general Maxwell Taylor, diretor da CIA John McCone, coronel J.C. King, Desmond Fitzgerald, na Casa Branca para Bundy e Dungan, na Zona do Canal para o general O Meara. Outra distribuição só com autorização dos acima nomeados.

Continua

Embaixador queria que entrega clandestina de armas fosse feita por submarino

Do blog do Azenha:
http://www.viomundo.com.br/buraco-negro/embaixador-queria-que-entrega-clandestina-de-armas-fosse-feita-por-submarino/

Atualizado em 16 de março de 2009 às 19:24 | Publicado em 17 de dezembro de 2007 às 17:27

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Nos planos do embaixador americano Lincoln Gordon para apoiar o golpe de 64, no Brasil, estava um desembarque clandestino de armas e combustível a partir de um submarino americano que emergisse na região entre Iguape e Cananéia, no litoral de São Paulo, para abastecer militares ligados ao general Castello Branco.

A idéia de traduzir e publicar os documentos oficiais do arquivo americano sobre o golpe de 64 tem como objetivo dar acesso àqueles que não falam inglês, não têm internet rápida ou simplesmente não sabem onde encontrar os documentos.

Para benefício de professores e alunos e dos curiosos em geral reproduzo traduzida a íntegra da mensagem que, no dia 27 de março de 1964, Gordon mandou aos superiores, em Washington:

"TOP SECRET

Pessoal do embaixador Gordon. Favor passar imediatamente para o secretário de Estado Rusk, o secretário-assistente Mann, Ralph Burton, secretário de Defesa McNamara, secretário-assistente de Defesa McNaughton, general Maxwell Taylor, diretor da CIA John McCone, coronel J.C. King, Desmond Fitzgerald, na Casa Branca para Bundy e Dungan, passar na zona do Canal (onde ficava o Comando Militar Sul dos Estados Unidos) ao general O'Meara. Outra distribuição só com aprovação dos acima citados.

Continua

A CIA errando, como sempre: golpe no Brasil "será sangrento"

Textos publicados por Azenha, no seu blog:
http://www.viomundo.com.br/buraco-negro/a-cia-errando-como-sempre-golpe-no-brasil-sera-sangrento/

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Prometi a vocês traduzir os sete documentos que estão nos arquivos americanos sobre o apoio dos Estados Unidos aos golpistas de 1964. Este é o terceiro da série. Trata-se de um telegrama da Central de Inteligência Americana, a CIA, a mesma que não conseguiu se antecipar aos atentados de 11 de setembro de 2001, nem à invasão do Kuwait pelo Iraque.

O telegrama é datado de 30 de março de 1964, com o título de "Planos de conspiradores revolucionários em Minas Gerais", tendo sido enviado do Brasil para os Estados Unidos. Alguns trechos continuam sob censura:

"Em 30 de março de 1964 CENSURADO fez as seguintes declarações em Belo Horizonte:

A. A revolução de forças anti-Goulart vai definitivamente começar esta semana, provavelmente dentro dos próximos dias. Negociações de última hora estão em andamento envolvendo os estados sob controle de governadores democráticos. São Paulo e Minas Gerais já chegaram a um acordo. CENSURADO. São Paulo seguiria Minas Gerais se a revolução começar em Minas Gerais.

B. Depois da revolução iniciada, tropas de São Paulo e Minas Gerais vão marchar em direção ao Rio de Janeiro para se unir a tropas que as apóiam. Não se prevê problemas em Minas Gerais. Alguns elementos militares suspeitos serão presos. O coronel Afranio Aguiar, comandante da base da Força Aérea em Belo Horizonte, tem a tendência de favorecer Goulart. A base da Força Aérea em Belo Horizonte tem pouco a oferecer em termos de resistência e será tomada por revolucionários sem derramamento de sangue.

C. Problemas, no entanto, podem acontecer em São Paulo, onde certos estabelecimentos militares terão que ser atacados rapidamente já que se sabe que são leais ao presidente Goulart.

D. CENSURADO

E. A revolução não será resolvida rapidamente e será sangrenta. Combates no Norte podem continuar por um longo período. A posição da Marinha é incerta e poderia acrescentar incerteza às dificuldades das forças anti-Goulart. A Força Aérea está tão dividida que não será problema no estágio inicial. Eventualmente, deve oferecer ajuda às forças anti-Goulart.