A imprensa e a copa


Nós temos duas situações na imprensa, facilmente detectadas neste momento de copa do mundo:

1- A imprensa em geral é contra qualquer ação positiva que possa ser favorável à reeleição de Dilma Roussef. Qualquer ato lançado pelo governo federal, qualquer obra, por mais benefícios que traga á população, será combatido e somente os pontos negativos serão mostrados. Os consumidores de jornal nacional, capa de jornal em banca de revista ou revista semanal, ficarão sabendo de tudo que houver de negativo sobre qualquer destas ações.

E sempre há fatos negativos. Pensemos em uma auto estrada que facilitará a vida de milhões de pessoas. Esta auto estrada passará sobre terras ocupadas, seja de forma regular ou irregular. Atrapalhará a vida de alguém. Não há como se fazer uma obra em um mundo tão populoso como o nosso, sem afetar ninguém. As cem pessoas que terão suas vidas modificadas, de forma negativa, sempre, é que serão mostradas e amplificadas para comprovar que o governo está sendo insensível, autoritário, etc. Os milhões de indivíduos que serão beneficiados, serão totalmente ignorados. Os estudos que foram feitos para se definir onde seria menos doloroso executar a obra, nunca serão mencionados. 

Os órgãos de meio ambiente serão chamados para testificar que a ponte que vai ser construída sobre o córrego que a estrada atravessará, sofrerá uma agressão enorme, pois a sombra da ponte vai esfriar a água em 0,1 grau e isto poderá provocar a extinção de uma espécie de bagre que só vive naquele córrego, além de todos os outros da mesma região (nem sei se bagre gosta de água fria ou morna. É só pra exemplificar. O quê sei é que eles apreciam água barrenta. Quando criança, morei em fazenda e logo depois de uma boa chuva, quando a água do rio estava bem suja, era o melhor momento para pescar bagres). 

Descobrirão que um dia, em um passado remoto, um índio enterrou sua esposa no terreno por onde passará a estrada e, portanto, todos os cem quilômetros quadrados nos arredores são sagrados.

Tem uma borboleta que faz seu casulo em uma árvore que será derrubada e isto poderá provocar sua extinção.

E assim por diante.

Bom, tudo isto depende de quem esteja no governo. Em São Paulo, sob o governo do PSDB, até falta de água é culpa de São Pedro, mesmo depois de mais de vinte anos de governo, sem investimentos e com uma população crescente. No restante do país, sob governo do PT, tudo será federal e culpa de Dilma Roussef.

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2 - A Rede Record está, em seus telejornais, seja em rede aberta ou na tv por assinatura, mostrando todos os aspectos negativos da copa, mesmo não sendo esta uma emissora que faça parte do pool anti governo federal. Ela é contra a copa graças à sua concorrência contra a globo. Uma vez que a maior beneficiária com as transmissões da copa é sua rival maior, ela está contra e pronto. Também não economiza esforços e argumentos para negativar o evento.

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Alguns estranharão que se diga que a globo, mesmo com todas as evidências, seja contra a copa, se ela é quem mais ganhará dinheiro no Brasil com o evento. Simples: as cotas de patrocínio já estão vendidas. As empresas que vão patrocinar a transmissão da rede globo, já assinaram contrato há muito tempo e, provavelmente, parte do dinheiro já está no caixa da empresa. Toda vez, durante o jogo, em que o Galvão repetir um daqueles bordões deles, como: "rede globo e você, tudo a ver", entrará a logomarca de uma empresa que patrocina o evento e o dinheiro irá para o caixa. Durante o intervalo do jogo, todas aquelas propagandas, também já estão contratadas e as empresas pagam muito caro por trinta segundos ou um minuto daquele tempo. Não importa mais. O quê ela faz é anunciar as suas transmissões com todas as pompas e, nos seus telejornais, mostrar tudo o que houver de negativo. Sempre aliando os problemas ao governo federal.

A equação da globo é eficiente: entra o dinheiro do patrocínio de um lado, ela ganha transmitindo os jogos e, depois destes, terá sua audiência aumentada, ou mantida, quando estiver transmitindo as manifestações pós jogo. Os manifestantes e os telespectadores garantirão o lucro da globo após o fim das partidas.

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No Forte Cultural:

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