PSB soube da transação irregular de avião 2 dias após morte de Campos


TER, 16/09/2014 - 11:49
ATUALIZADO EM 16/09/2014 - 11:55

Jornal GGN - Reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (16) aponta que o PSB de Marina Silva soube da transação irregular do avião que levava Eduardo Campos e mais seis pessoas apenas dois dias após o acidente fatal no litoral paulista, em 13 de agosto. O partido havia informado à imprensa, em comunicado oficial, que ficou “alheio” à negociação de compra do equipamento, que atravessa um imbróglio que pode prejudicar a prestação de contas do PSB ao Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o periódico, dois dias depois da queda do jato Cessna, dirigentes pessebistas foram chamados a uma reunião num hotel de São Paulo com Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Apolo Santana Vieira e Luiz Piauhylino. Na ocasião, os empresários explicaram que a legenda teria problemas para declarar as despesas com a aeronave ao TSE. O motivo explicado era a “transação irregular”, segundo afirmou ao jornal um dos participantes da reunião.
Os empresários teriam detalhado a dirigentes do PSB que estavam pagando parcelas do jato comprado da AF Andrade, “mas que a transferência da propriedade não estava concretizada porque a Cessna Finance não tinha aprovado as garantias oferecidas por Lyra e Apolo. Com isso, afirmaram, não seria uma tarefa fácil resolver as pendências relacionadas à regularização da aeronave, e o partido deveria se preparar para enfrentar questionamentos sobre a legalidade do uso do avião e da operação de compra”, informa O Globo.

Duas semanas após o encontro, o PSB sustentou que não tinha conhecimento dos detalhes da compra. O candidato a vice-presidente ao lado de Marina Silva, Beto Albuquerque, chegou a dizer que a sigla não deve satisfações sobre a transação irregular. Segundo ele, quando você pega carona em um táxi, você não pergunta ao motorista se os documentos estão todos em dia.

Ainda de acordo com a reportagem, Eduardo Campos passou a ser cobrado pelo contrato de aluguel ou empréstimo da aeronave quando o uso dela foi intensificado, já durante a campanha oficial. Há relatos de uso do jato em maio, na pré-campaha. “Está tudo bem”, “está tudo sob controle”, “fiquem tranquilos”, respondia sempre que abordado sobre o tema, segundo relato de dirigentes do partido ao O Globo.

Após mais de um mês da tragédia que matou o presidenciável, o PSB ainda não conseguiu resolver a questão. A aeronave não foi declarada na segunda prestação parcial de contas de Eduardo Campos enviada à Justiça Eleitoral no dia 3, nem na do comitê financeiro da campanha presidencial. Marina disse que se tratava de “um empréstimo que seria ressarcido pelo comitê financeiro”. Não ocorreu até agora.

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