"Abro o jornal e tem matéria de um novo filme sendo feito", afirma Nachtergaele

CULTURA

Cinema nacional
Ator, diretor e produtor Matheus Nachtergaele fala sobre as riquezas e o desenvolvimento do cinema brasileiro


Publicado: 30/12/2014 10h56Última modificação: 30/12/2014 10h56
Divulgação/ Ancine

Cinema Nacional passa por um "um bom momento", segundo o ator
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O ator, diretor e produtor Matheus Nachtergaele concedeu entrevista sobre sua relação com o audiovisual durante uma das pausas para a gravação do comercial da campanha "Audiovisual brasileiro. Grande como o Brasil", que estreou na TV aberta no dia 7 de dezembro. Ele é um dos astros da campanha, ao lado de Patricia Pillar, Cauã Reymond e Deborah Secco.

Confira a entrevista na íntegra:

Qual é a sua expectativa para a recepção do público ao longa “Trinta” (dir.: Paulo Machline, 2014)?

Matheus: Espero que seja a melhor possível. “Trinta” é um filme de homenagem, é um filme muito delicado sobre um dos maiores artista do Brasil. É uma honra para mim ter feito o Joãosinho Trinta. Se você imaginar o carnaval carioca como o maior espetáculo a céu aberto do mundo e o Joãozinho como maior carnavalesco do Brasil, estamos falando de um dos maiores encenadores do mundo! Então é uma super honra.

Você faz cinema há bastante tempo, desde 1997 (“O que é isso, companheiro?”, dir: Bruno Barreto). Como você vê o crescimento do cinema nacional?

É uma maravilha. Realmente, estamos vivendo um bom momento. Ainda é difícil a competição com os filmes estrangeiros - o brasileiro ainda, de uma certa maneira, tem a tendência a preferir o filme estrangeiro ao filme nacional. Isso é quase um cacoete que vai sendo, aos poucos, superado. Você vê que as nossas comédias, principalmente, estão indo muito bem.

Tive a honra de estar em alguns filmes que fizeram uma bilheteria muito bonita. Nós temos feito bastante cinema, como eu não imaginava no final dos anos 90, quando comecei a fazer cinema - sempre fiz muitos filmes, mas eu era uma exceção. Eu fazia dois ou três longas por ano, mas isso era uma exceção mesmo.

Hoje em dia, percebo que em muitos lugares do Brasil muitos filmes vão sendo feitos o tempo todo. Abro o jornal e tem uma matéria nova de um novo filme, do qual eu nem tinha notícia, sendo feito. Filmes até sendo produzidos na Amazônia. Eu dirigi um filme na Amazônia, e era um deserto a produção cinematográfica na Amazônia – e agora já acontece também, como tem acontecido cinema Brasil afora.

Eu espero que a coisa se fortifique cada vez mais e que possamos ocupar nossas salas com mais força do que a gente ocupa. Acho que essa é a nossa única questão hoje em dia. Cinema nós temos, filmes nós temos, mas não temos, às vezes, espaço.

Como foi essa experiência para você? Sair do campo da atuação para a direção.

Para mim, foi uma necessidade. Eu precisava contar uma história, e essa história eu só poderia contar dirigindo. Aprendi bem fortemente, na raça, tudo o que tem que ser movido para que um filme aconteça. Tudo o que tem que ser movido para que eu chegue no lugar onde eu habito, para que eu esteja, como ator, diante de uma câmera de cinema. Acho que eu não tinha a dimensão plena do quanto é necessário batalhar para se fazer um filme.

O bonito é que essa arte que envolve tantas pessoas de tantos tipos, tantos profissionais diferentes, tanta coisa, tanta gente. Um cinema saudável é muito bom para um país, o cinema abraça diversos tipos de profissionais. A gente tem uma equipe tão bonita já formada e tanta gente nova chegando. Maquiadores, cozinheiros... É uma coisa linda de ver. É lindo!

Você pode adiantar algum próximo projeto para o ano que vem?

Tem o “Sangue Azul”, do Lírio Ferreira, que estreia no primeiro semestre de 2015, e será exibido comercialmente. Tem o “Big Jato”, meu quarto longa com o Cláudio Assis, que está em fase de montagem e finalização, e também estreia em 2015. Agora vou filmar “Mãe só há uma”, da Anna Muylaert, uma cineasta paulistana de quem sou fã. E termino o ano fazendo mais um longa. Então tem sido uma atividade quente, gostosa, prazerosa e com frutos bonitos.

O Matheus espectador de cinema: qual filme nacional te marcou, o que você gosta de assistir no nosso cinema?

Muitos filmes me marcaram, e vários deles são brasileiros. Eu sou fã do cinema brasileiro. Acho que o Brasil faz o melhor cinema brasileiro do mundo. Eu sou fã de Oscarito, Grande Otelo e Mazzaropi. Eu sou fã do cinema brasileiro desde sempre, mesmo nos momentos em que se fez pouco cinema.

Mesmo nos períodos mais negros da nossa história do cinema, fizemos filmes lindos. [Arnaldo] Jabor fez filmes lindos em momentos difíceis. Sou muito fã do Cinema Novo e, pessoalmente, sou muito fã dos filmes mais autorais. Eu gosto muito do Jabor, do Walter Lima Jr., de cineastas com uma assinatura forte, autoral.

Mesmo agora, com essa quantidade grande de filmes, eu gosto dos filmes mais corajosos, arriscados, autorais. Gosto do Marcelo Gomes, do Karim [Aïnouz], do Cláudio Assis, do Lírio [Ferreira], e fiz muitos filmes lindos com o Guel Arraes. O nosso cinema é um cinema lindo, cheio de faces.

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