Roda de prosa com Juca Ferreira


No primeiro dia de sua nova gestão no Ministério da Cultura, Juca Ferreira 
abriu as portas da Funarte para ouvir as principais reivindicações de 
diversos setores da cultura. (Foto de Janine Moraes) 12.1.2015 - 22:06
Artistas, produtores, grupos e coletivos culturais, representantes de Pontos de Cultura, de movimentos sociais e de segmentos da diversidade cultural brasileira participaram, no fim da tarde e início da noite desta segunda-feira (12/1), em Brasília, de uma primeira roda de conversa com o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Durante o evento, o ministro detalhou suas propostas para a nova gestão no ministério, recebeu elogios e votos de boa sorte e escutou demandas e sugestões para a área cultural.
Juca Ferreira – que, em seu discurso de posse, destacou a importância da participação social em sua gestão – abriu a roda de conversa enfatizando que trabalhará para os mais diversos segmentos da cultura brasileira. "Não dá para escolher uma, duas coisas e secundarizar as demais. A política cultural é necessariamente abrangente. Tudo que é relevante precisa e será tratado por este ministério", destacou.

A melhoria do diálogo com os diversos setores da cultura foi uma demanda apresentada por diversos participantes. Juca Ferreira garantiu que isso será regra em sua gestão. "Iremos trabalhar sempre com diálogo, conversar para encontrar pontos em comum", completou. "Como todo bom baiano, gosto muito de conversar", brincou o ministro.
Pontos de Cultura
Durante a roda, representantes da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC) apresentaram ao novo ministro uma carta com as principais demandas dos Pontos e Pontões de Cultura, que receberão tratamento especial na nova gestão. Hoje, são cerca de 4,6 mil Pontos distribuídos por todas as unidades da Federação. Até 2020, de acordo com o meta do Plano Nacional do Cultura (PNC), o objetivo é chegar a 15 mil.

Outras demandas apresentadas a Ferreira foram a interlocução do Ministério da Cultura (MinC) junto ao Ministério das Comunicações para a regulação dos meios de comunicação; estreitamento da relação entre a cultura e a educação, com mais projetos como o Mais Cultura nas Escolas e o Mais Cultura nas Universidades; ampliação de políticas culturais voltadas ao fortalecimento e valorização das culturas indígenas e afro-brasileira; modernização da lei de direitos autorais; aprimoramento das políticas de financiamento à cultura; e a valorização dos servidores do MinC, com criação de plano de carreira.

Também foram demandados pelos participantes a reestruturação da Fundação Nacional de Arte (Funarte); o fortalecimento do setor de circo; o fomento às expressões da cultura popular, com incentivo a mestres e mestras; maior investimento na produção cultural das periferias; a proibição do uso de animais em circos e rodeios; o ensino de cultura regional nas escolas; a ampliação de filmes brasileiros nas salas de cinema do país; e o estreitamento da relação do MinC com os órgãos de cultura dos municípios.
Muito a avançar
Para o ministro Juca Ferreira, foi muito importante conhecer as diversas demandas apresentadas durante a roda de conversa. "Temos muito a avançar em nossa gestão, sobretudo na articulação entre a União, estados e municípios. Escutar as dificuldades ajuda bastante", destacou. "Precisamos aprimorar o Sistema Nacional de Cultura, criar um sistema complexo que dê vazão à produção cultural de qualidade, inclusive para fora do país. Temos uma das maiores diversidades culturais do mundo. Todos têm interesse em nossa cultura", enfatizou.

Ferreira também destacou a necessidade de se adequar a Funarte à realidade atual. "Precisamos de uma instituição capaz de dar suporte, apoio e fomento às linguagens artísticas em todo o país. Vamos trabalhar para isso", afirmou.

Presente à roda de conversa, a diretora da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Dulce Aquino, destacou a relevância da oportunidade: "Esses momentos são muito importantes. Ao manter um diálogo, ao saber ouvir, Juca Ferreira se aproxima da comunidade intelectual e dos artistas", considera.

Guilherme Carvalho, o palhaço Pepino, integrante do Grupo Pirilampo, afirmou ter vindo à roda de conversa para saber qual linha de políticas culturais será seguida pela nova gestão. "Fiquei satisfeito em ver a posição do ministro em relação a buscar a aprovação da PEC da Cultura, que já está há 10 anos tramitando no Congresso Nacional", afirmou.

Já o ambientalista José Carlos Barreiros, da ONG Grupo Gérmen, de Salvador (BA), destacou a importância de se discutir o papel das novas mídias. "Hoje, a tevê não é mais única tela", observou.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

Comentários